Amigos,
Hoje quero compartilhar um relato que retornou às minhas lembranças como um raio.
Um dia, disse alguém, fui tão magoada e ferida que ao relembrar me dá náuseas.
“Era tanto furor, e não pude fazer nada. Era tanta força e não conseguia sair do lugar.”
“Havia tanto horror naquela situação, mas, parecia que pertencia ao recorte de minha existência.”
Confesso que no início da conversa não sabia do que estávamos falando, só depois, uma palavra me arrastou da ignorância - MÁGOA - foi como um clik.
No entanto, precisava ouvir e entender mais daquele discurso.
“Como pude sentir tudo aquilo e não fazer nada?”
“Ficar quieta?”
“Olhar quando o que eu mais queria era não ter que ver”?
“Por que não deixei tudo e fui embora?”
“Hoje vivo com essa mágoa (ou seria melhor, vivo Por essa mágoa? – interpretação). Mágoa de mim por não ter agido, atuado, interdito.”
Indaguei sobre o que sentia a respeito de quem provocou o sofrimento.
E a reposta foi singela.
“Ah! Quanto a isso não penso, só sei que se pudesse voltar no tempo, faria diferente.”
Somos capazes de viver e experienciar diversas relações. Construímos através de trocas, estamos em constante reinvenção
Porém, alguns sentimentos são capazes de arrastar o ser humano para involução, para o descompasso repetitivo e até para morte.
Morremos (lê-se, secamos) ao nos aprisionarmos à mágoa, ao ressentimento.
Quantas doenças psicossomáticas* se irrompem quando negamos nos desvencilhar de certos momentos?
Arrepender-se, retomar e recomeçar é saudável, é criativo, é vida é libertação.
Mas arrepende-se e se investir de culpa, como se isso fosse diminuir responsabilidades, pode configurar somente uma forma de justificar a inércia e manter-se em uma “zona de conforto (desconfortável).”
Sei que tudo isso pode trazer alguns questionamentos, e me desculpem os menos tolerantes, mas a idéia é essa mesma.
O que fazer com a mágoa?
Ou com o arrependimento que nos força a voltar e voltar e voltar, num sentido tal, que só faz sofrer?
Retomando o relato e o tendo como exemplo, não há A resposta que atenda a todas as queixas ou casos clínicos, cada um é singular.
Mas se me permitem, quero evocar Mário Quintana, “Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos. Atos são pássaros engaiolados. Sentimentos são pássaros em vôo".
Ou seja, sentimentos são trocas, são vivências, podemos alimentá-los positivamente, e “PLIM”, se dará a revitalização do Ser.
Por outro lado, se os alimentarmos negativamente...
(deixo para você leitor o fim desse pensamento).
Por fim, em análise propomos ao sujeito, segundo Freud, relembrar, reviver e ressignificar conteúdos.
Até mais!
Dhiulliana Moura
CRP01/15501
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*Doenças psicossomáticas, mal que acomete o corpo, mas que a causa está ligada ao emocional, psicológico.