quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Estamos a gostar do silêncio e isolamento de nossas crianças...

                                                  ALERTA
 

                   Estamos a gostar do silêncio e isolamento de nossas crianças...

Quero compartilhar uma inquietação surgida há algum tempo numa reunião familiar.
Outro dia minha prima e eu no meio de um jantar para poucos, paramos e ambas observamos a mesma coisa, todos os adolescentes e crianças que ali estavam brincavam ou se conectavam a uma tecnologia diferente.
Percebendo alguns casos em que a garotada tão "quieta", "silenciosa" que tanto gosta de ficar no computador e às vezes nem parece que ali está, mas que pega uma arma vai para o colégio e atira na professora e nos colegas. E observando também o NOSSO recorte mostrado no novo comercial de uma empresa de telefonia, na qual o garoto vai passar um fim de semana com o amigo e ao final reclama que sua estadia não foi tão boa porque a internet lá não é tão rápida ( antes a meninada jogava bola, pulava, fazia guerra de travesseiro e esperava os pais dormirem pra conversarem até mais tarde). E agora?
Enfim, estamos a gostar do silêncio e isolamento de nossas crianças, o seu entretenimento nos permite fazer algo mais que não "dar atenção". E o que dizer das relações cada vez mais frágeis, solúveis e de "acabamento" precoce?
Nas reuniões familiares é cada vez mais raro enxergar o corre corre da criançada. Afinal, é cada um no seu" quadrado", OPZ! no seu Tablet, seu iPad, iPod, jogos no celular....
E aí, o que fazer para não doer tanto quando eles se manifestarem, quando sairem e imitarem sua "vida virtual"?
Dhiulliana Moura

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Toc Toc... Quem bate? É o ano novo e todos os seus desejos!

O que dizer do ano que acaba? De suas promessas? Ou melhor, de nossas promessas/desejos? Enfim, estamos na última semana do ano...
O que a psicanálise tem a dizer do que desejamos e não realizamos?  Do que realizamos e nem desejamos? Queremos realmente o que desejamos?  Com os estudos psicanalíticos desse ano percebi que muitas das promessas ficam só nas promessas... e por que?  Em suma porque  é bastante comum não se querer o que se deseja. A nós analistas isso nos serve como ferramenta para diagnosticar...
Exemplificando: os obsessivos os quais seriam aqueles que só querem o que não desejam, pois assim não arriscam perder o que lhes é mais precioso, ou mais seguro... e os que perpassam na histeria se colocam como eternos insatisfeitos com o que obtêm, e portanto, desejam sempre outra coisa.
Querer o que se deseja implica o risco da aposta – toda decisão é arriscada – e a coragem de expor sua preferência, mesmo que esta venha dizer de algo ridículo, vale o risco.
Então, colegas, amigos e companheiros analistas, no Ano novo,  a pretensão de uma promessa analítica, seria  suportar querer o que se deseja e não temer a surpresa do próprio Ano novo...do novo... do imprevisível... do incontrolável.
                  A porta está aberta e que venham os desejos!!!!        


Dhiulliana dos Santos Moura

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Há vida após a PERDA?

Você já teve sua fragilidade denunciada? Já viveu uma dor maior que você em tamanho e proporção?
Caro leitor(a), sempre que se perde um ente querido seja pela via concreta (morte) ou subjetiva, (término, desaprovação, desvalorização, depreciação, mentiras cotidianas), instaura-se um vazio, um nada, a morte.
Num cenário de certezas e ilusões... depois... Dar-se o pânico de perder outras coisas... trabalho, casa, filhos e muitas vezes o pânico de ter sua própria vida subtraída concretamente e aqui seria MEDO ou DESEJO? ou MEDO de perceber o DESEJO pela própria morte?
Sigmund Freud, em seu trabalho Luto e Melancolia de 1917, considera quão importante é perceber que no luto a pessoa perde seu desejo pelo mundo exterior, perde a capacidade de adotar um novo objeto de amor, ou seja, substituir o perdido, o sentimento de rejeição esmaga o desejo de ir em frente.
Ao desaparecer, a outra pessoa aflora o sentimento de incapacidade de continuar amando e o fluxo do amor ameaça tornar-se ódio e ressentimento. Isso porque no plano infantil, a ausência do outro se transforma em rejeição diante da qual se reage...odiando.
É necessário viver essa perda, até que ela seja superada, deixar passar o passado e poder voltar a sonhar, estes são critérios Freudianos de saúde mental.
Literalmente ou Metaforicamente... é necessário fazer o “funeral”, é preciso ver o “morto”, passar adiante, virar a página, evoluir de fase.
Mas, como fazer isso?
A análise ajuda, falar ajuda, se ouvir ajuda...
Segundo Freud, a análise a partir da transferência oferece ao “enlutado”a possibilidade de viver, de sentir a dor da perda. É no setting terapêutico, que a pessoa irá desvelar questões, inquietar-se com pontuações, aprofundar-se no sentir e perceber que pode ressignificar, sonhar novamente e amar novos objetos.
Elaborar a dor da perda, em certo sentido, é superá-la após um tempo (e cada pessoa tem o seu), é interessar-se de novo por pessoas e lugares, novos rostos; é PERMITIR um renascimento de objeto, da libido que se dirige ao mundo.
Leitor(a), caso tenha interesse, posso sugerir alguns filmes que tratam dessa questão.
Um abraço.
Dhiulliana Moura
CRP 01/15501

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A mulher pós-moderna e suas relações

Durante os muitos anos do mundo anterior, a expressão feminina se dava pela aceitação ou contestação da palavra masculina, geralmente a do marido. Hoje é diferente, não se trata nem de uma coisa, nem de outra, e, sim de escolher o que quer para si.  A revolução feminina é simultânea à passagem do mundo moderno ao pós; do mundo industrial ao globalizado. O mundo moderno era vertical, padronizado; o mundo pós-moderno é horizontal, em rede. A mulher parece ligada a tudo, está a mil por hora, conectada aos quatro cantos do mundo.
Antes se lutava por oportunidade, contudo,  hoje a mulher possui inúmeras. Há mais mulher no poder... isto é notícia diária, nas finanças sua contribuição é maior, nas funções se igualam aos homens, têm filhos aos 40, aos 50 anos. A mulher tomou, de fato, a responsabilidade pra si e em alguns casos tem eliminado a participação de qualquer outro. A mulher tende cada vez mais a absorver atividades e rotinas árduas sem dividir.
Mesmo que, de forma lenta e sutil o homem parece ter entendido essa mudança de paradigma:  A mulher conquistou seu espaço no mundo e isso não se configura em problema, porém, a mulher está adoecendo com TAMANHA aceitação masculina. Quantas delas chegam à clínica com essa demanda: - Não agüento mais, ele não decide nada, não troca uma fralda, não sabe fazer mamadeira, se nosso filho não está bem na escola ele não se preocupa, eu é que monto o cronograma da viagem, ele tinha que ganhar melhor que eu, sou eu quem organizo e pago as contas, eu faço as compras, meu marido é um banana, quero que ele decida mais, que ele diga alguma coisa...
Caros leitores e leitoras, a mulher conquistou opções de escolha, mas, na clínica o que se percebe é que essa mulher globalizada sofre, clama e reclama por estar levando o mundo nas costas.
Porém, fica a inquietação, a participação do marido, namorado, ou seja, o homem realmente pôde tomar qualquer uma dessas posições reclamadas hoje? Ou teve que aquietar-se na certeza de que sua mulher as conduzia melhor? A mulher em sua onipotência (conquistada ao longo de décadas) se deixou ser ajudada, cuidada? Nas relações existem trocas, compartilhamento, abertura?
Enfim, será que a mulher sofre de um mal fruto de sua história de luta e batalha por reconhecimento? É possível que a mulher esteja confundindo a aceitação de seu companheiro com passividade? Será que essa postura forte e onipotente, que tantas possuem, está dificultando as relações amorosas? Diante de todas as conquistas será que se deixou a sensibilidade de compartilhar, de pedir ajuda ou até mesmo de reconhecer a importância que o outro possui sem que isso se conote em menos valia?
Sabe-se que cada caso é um caso, mas, é preciso refletir. Como mediar à conquista de toda uma vida com esses desencontros nos relacionamentos? É possível que a mulher se posicione, mas,  também seja amante, cúmplice e carinhosa?
Abraços.
Dhiulliana Moura
CRP 01/15501

sábado, 16 de julho de 2011

Céus e Terra


Olá  querido leitor,

Ficamos um tempo sem postar, mas estamos de volta  e desejamos saber o que você pensa sobre o pensamento de Martin Bubber a seguir :

O encontro com Deus não acontece ao homem para que ele se ocupe de Deus, mas para que ele coloque à prova o sentido na ação no mundo. Toda revelação é vocação e missão. Mas o homem cada vez mais em vez de atingir a atualização, realiza uma volta ao revelador, ele quer se ocupar de Deus e não do mundo.

 Buber (2003, p. 137)


Deixe sua opinião!


Com Amor!

Rana (Ranúzia)

terça-feira, 22 de março de 2011

Amor Incondicional, Amor Condicional, Amor Líquido (2)

Queridos Leitores

 Num texto anterior, onde iniciamos esse assunto, deixei algumas perguntas para sua reflexão. Nesse ínterim, alguém me perguntou se Amor Condicional e Amor Líquido deveriam ser considerados como verdadeiro AMOR. Agora, confira sua opinião com nossas considerações e veja uma das consequências do amor líquido!

Se fizermos analogia da Escala do Amor – Amor Condicional , Amor Líquido, Amor Incondicional -  com a Escala do Self criada por Rogers, em que no extremo esquerdo está a fixidez (solidez) e no outro extremo está a flexibilidade (liquidez*) do self , diria que a pessoa que tivesse um  tipo de amor líquido seria mais flexível na sua própria forma de pensar, perceber e aceitar a si mesmo e os outros.
Por outro lado, se considerarmos que a liquidez do amor, atualmente, segundo Bauman, se apresenta exatamente no descarte de relacionamentos, ausência de compromisso, desrespeito consigo mesmo – uso indevido de drogas, por exemplo - e com os outros nas mais diversas situações, podemos arriscar dizer que uma das conseqüências ou causas para esse fenômeno é a psicopatia social. A solidificação da crueldade  com aumento da impiedade, intolerância, mentira, corrupção e manipulação têm impedido um fluir incontaminado de doenças emocionais e afetivas no mundo  inter e intra  da psiquê  -  pessoas e seus relacionamentos.
A tomada de consciência  desses processos é um bom início para que se perceba  qual  é sua situação no mundo  - se você está vivendo de forma coerente e amorosa consigo mesmo. Porém, se você tem se desencontrado com o seu próprio ser é hora de buscar ajuda para que o sofrimento psicológico não se instale de forma irremediável.
No ambiente da psicoterapia, a pessoa terá a oportunidade de  perceber em que ponto se encontra na escala do seu ser .  Será também ajudada a decidir se deseja transitar e fluir  para seu crescimento pessoal e relacional de forma equilibrada e saudável, amando e deixando ser amada, cada vez mais em direção ao Amor Incondicional.
*termo não é atribuído a Rogers.

Com amor e carinho


Ranúzia

terça-feira, 15 de março de 2011

Relacionamento, THE END!

Assisti a um filme e após todas as reflexões me deu vontade de partilhar com você leitor.
O amor não tira férias. Quem viu, ótimo, quem não viu farei uma análise básica, o que não comprometerá caso queira vê-lo.
Vamos aos insights. O amor acaba? A pessoa que tanto admiro erra ou trai? Um sim dela ou um não têm a ver com algo além? Se era tão maravilhoso, por que acabou? Saiu ou choro até as lágrimas secarem?
Meus amigos, quem dera eu ter todas essas respostas.
Como no filme, na vida real também, a constituição de cada pessoa ditará as facetas dos relacionamentos e mais, será determinante na forma de reagir e de ressignificar dos envolvidos.
Quantos casos clínicos dizem de relacionamentos acabados, traídos, não entendidos? Quantas pessoas vão pra rua, pra balada em busca do Outro, ou seria de si?(a exposição dita agora o comportamento).
Em contra partida, você também deve conhecer àquelas que se recusam a sair, a aparecer, a se deixar ver, afinal, o “mundo” acabou que importância tem o resto?...
Mas, então, se não é isso nem aquilo, o que é? É o que tem que ser, escapando ao bom ou ruim, é você decidindo e sentindo, vendo sem o véu, indo pra rua ou ficando em casa, isso independe.
Sabe o que importa de verdade? A consciência, sim, ela é que deve ser a força motriz das experiências. Fazer e ser conscientemente, olhar de frente a Falta, mais que nunca necessária, e agir.
O não sei, estou perdido(a), nem sei se sinto raiva, ou se acredito que a pessoa estava mesmo confusa e, portanto, não será melhor sentir-me culpado(a)? É aí, caro leitor, que se dar o engodo e a repeti(A)ção.
Enfim,  para a psicanálise, o sujeito como SUJEITO deve comparecer e, para tal, é necessário alguns auto-questionamentos.
1- Qual a fonte de tudo? A pessoa perdida foi de fato perdida ou nunca foi pertencente à relação? E você o que fez ou o que não fez?
2- Identifique seus sentimentos;
3- Permita sentí-los;
4- O seu tempo é seu tempo. Cada um tem um;
5- E depois, com o eixo em si, atue (diga sim ou não, vá ou fique) CONSCIENTEMENTE.
The End!
Abraços
Dhiulliana Moura
CRP 01/15501