sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A mulher pós-moderna e suas relações

Durante os muitos anos do mundo anterior, a expressão feminina se dava pela aceitação ou contestação da palavra masculina, geralmente a do marido. Hoje é diferente, não se trata nem de uma coisa, nem de outra, e, sim de escolher o que quer para si.  A revolução feminina é simultânea à passagem do mundo moderno ao pós; do mundo industrial ao globalizado. O mundo moderno era vertical, padronizado; o mundo pós-moderno é horizontal, em rede. A mulher parece ligada a tudo, está a mil por hora, conectada aos quatro cantos do mundo.
Antes se lutava por oportunidade, contudo,  hoje a mulher possui inúmeras. Há mais mulher no poder... isto é notícia diária, nas finanças sua contribuição é maior, nas funções se igualam aos homens, têm filhos aos 40, aos 50 anos. A mulher tomou, de fato, a responsabilidade pra si e em alguns casos tem eliminado a participação de qualquer outro. A mulher tende cada vez mais a absorver atividades e rotinas árduas sem dividir.
Mesmo que, de forma lenta e sutil o homem parece ter entendido essa mudança de paradigma:  A mulher conquistou seu espaço no mundo e isso não se configura em problema, porém, a mulher está adoecendo com TAMANHA aceitação masculina. Quantas delas chegam à clínica com essa demanda: - Não agüento mais, ele não decide nada, não troca uma fralda, não sabe fazer mamadeira, se nosso filho não está bem na escola ele não se preocupa, eu é que monto o cronograma da viagem, ele tinha que ganhar melhor que eu, sou eu quem organizo e pago as contas, eu faço as compras, meu marido é um banana, quero que ele decida mais, que ele diga alguma coisa...
Caros leitores e leitoras, a mulher conquistou opções de escolha, mas, na clínica o que se percebe é que essa mulher globalizada sofre, clama e reclama por estar levando o mundo nas costas.
Porém, fica a inquietação, a participação do marido, namorado, ou seja, o homem realmente pôde tomar qualquer uma dessas posições reclamadas hoje? Ou teve que aquietar-se na certeza de que sua mulher as conduzia melhor? A mulher em sua onipotência (conquistada ao longo de décadas) se deixou ser ajudada, cuidada? Nas relações existem trocas, compartilhamento, abertura?
Enfim, será que a mulher sofre de um mal fruto de sua história de luta e batalha por reconhecimento? É possível que a mulher esteja confundindo a aceitação de seu companheiro com passividade? Será que essa postura forte e onipotente, que tantas possuem, está dificultando as relações amorosas? Diante de todas as conquistas será que se deixou a sensibilidade de compartilhar, de pedir ajuda ou até mesmo de reconhecer a importância que o outro possui sem que isso se conote em menos valia?
Sabe-se que cada caso é um caso, mas, é preciso refletir. Como mediar à conquista de toda uma vida com esses desencontros nos relacionamentos? É possível que a mulher se posicione, mas,  também seja amante, cúmplice e carinhosa?
Abraços.
Dhiulliana Moura
CRP 01/15501

sábado, 16 de julho de 2011

Céus e Terra


Olá  querido leitor,

Ficamos um tempo sem postar, mas estamos de volta  e desejamos saber o que você pensa sobre o pensamento de Martin Bubber a seguir :

O encontro com Deus não acontece ao homem para que ele se ocupe de Deus, mas para que ele coloque à prova o sentido na ação no mundo. Toda revelação é vocação e missão. Mas o homem cada vez mais em vez de atingir a atualização, realiza uma volta ao revelador, ele quer se ocupar de Deus e não do mundo.

 Buber (2003, p. 137)


Deixe sua opinião!


Com Amor!

Rana (Ranúzia)

terça-feira, 22 de março de 2011

Amor Incondicional, Amor Condicional, Amor Líquido (2)

Queridos Leitores

 Num texto anterior, onde iniciamos esse assunto, deixei algumas perguntas para sua reflexão. Nesse ínterim, alguém me perguntou se Amor Condicional e Amor Líquido deveriam ser considerados como verdadeiro AMOR. Agora, confira sua opinião com nossas considerações e veja uma das consequências do amor líquido!

Se fizermos analogia da Escala do Amor – Amor Condicional , Amor Líquido, Amor Incondicional -  com a Escala do Self criada por Rogers, em que no extremo esquerdo está a fixidez (solidez) e no outro extremo está a flexibilidade (liquidez*) do self , diria que a pessoa que tivesse um  tipo de amor líquido seria mais flexível na sua própria forma de pensar, perceber e aceitar a si mesmo e os outros.
Por outro lado, se considerarmos que a liquidez do amor, atualmente, segundo Bauman, se apresenta exatamente no descarte de relacionamentos, ausência de compromisso, desrespeito consigo mesmo – uso indevido de drogas, por exemplo - e com os outros nas mais diversas situações, podemos arriscar dizer que uma das conseqüências ou causas para esse fenômeno é a psicopatia social. A solidificação da crueldade  com aumento da impiedade, intolerância, mentira, corrupção e manipulação têm impedido um fluir incontaminado de doenças emocionais e afetivas no mundo  inter e intra  da psiquê  -  pessoas e seus relacionamentos.
A tomada de consciência  desses processos é um bom início para que se perceba  qual  é sua situação no mundo  - se você está vivendo de forma coerente e amorosa consigo mesmo. Porém, se você tem se desencontrado com o seu próprio ser é hora de buscar ajuda para que o sofrimento psicológico não se instale de forma irremediável.
No ambiente da psicoterapia, a pessoa terá a oportunidade de  perceber em que ponto se encontra na escala do seu ser .  Será também ajudada a decidir se deseja transitar e fluir  para seu crescimento pessoal e relacional de forma equilibrada e saudável, amando e deixando ser amada, cada vez mais em direção ao Amor Incondicional.
*termo não é atribuído a Rogers.

Com amor e carinho


Ranúzia

terça-feira, 15 de março de 2011

Relacionamento, THE END!

Assisti a um filme e após todas as reflexões me deu vontade de partilhar com você leitor.
O amor não tira férias. Quem viu, ótimo, quem não viu farei uma análise básica, o que não comprometerá caso queira vê-lo.
Vamos aos insights. O amor acaba? A pessoa que tanto admiro erra ou trai? Um sim dela ou um não têm a ver com algo além? Se era tão maravilhoso, por que acabou? Saiu ou choro até as lágrimas secarem?
Meus amigos, quem dera eu ter todas essas respostas.
Como no filme, na vida real também, a constituição de cada pessoa ditará as facetas dos relacionamentos e mais, será determinante na forma de reagir e de ressignificar dos envolvidos.
Quantos casos clínicos dizem de relacionamentos acabados, traídos, não entendidos? Quantas pessoas vão pra rua, pra balada em busca do Outro, ou seria de si?(a exposição dita agora o comportamento).
Em contra partida, você também deve conhecer àquelas que se recusam a sair, a aparecer, a se deixar ver, afinal, o “mundo” acabou que importância tem o resto?...
Mas, então, se não é isso nem aquilo, o que é? É o que tem que ser, escapando ao bom ou ruim, é você decidindo e sentindo, vendo sem o véu, indo pra rua ou ficando em casa, isso independe.
Sabe o que importa de verdade? A consciência, sim, ela é que deve ser a força motriz das experiências. Fazer e ser conscientemente, olhar de frente a Falta, mais que nunca necessária, e agir.
O não sei, estou perdido(a), nem sei se sinto raiva, ou se acredito que a pessoa estava mesmo confusa e, portanto, não será melhor sentir-me culpado(a)? É aí, caro leitor, que se dar o engodo e a repeti(A)ção.
Enfim,  para a psicanálise, o sujeito como SUJEITO deve comparecer e, para tal, é necessário alguns auto-questionamentos.
1- Qual a fonte de tudo? A pessoa perdida foi de fato perdida ou nunca foi pertencente à relação? E você o que fez ou o que não fez?
2- Identifique seus sentimentos;
3- Permita sentí-los;
4- O seu tempo é seu tempo. Cada um tem um;
5- E depois, com o eixo em si, atue (diga sim ou não, vá ou fique) CONSCIENTEMENTE.
The End!
Abraços
Dhiulliana Moura
CRP 01/15501

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"Cyberbulling", sua vida invadida via online


Amigos leitores,
Outro dia conversava com uma amiga sobre depoimentos e comentários via online e ela relatou que é difícil em alguns momentos deixar depoimentos, principalmente se o conteúdo disser algo do particular.
E me surgiu uma inquietação: Mas, a ideia não é essa? Ou seja, mostrar o que se pensa, o que é, quais as vivências diárias, que tipo de relação está buscando, o que tem, o que almeja, o que está fazendo e sentindo naquele exato momento? Ou esses conceitos perderam seus teores de singularidade?
Fato é, hoje são inúmeros os Facebooks os Twitters, Orkuts, enfim, inúmeras portas para a exposição, para a disseminação de imagem e condutas que alcançam os quatro cantos do mundo à velocidade da luz.
Leitores, antes que me tenham mal, afinal, “Quem não é VISTO não é lembrado”! Por favor, não é que renego essa sensação e pulverização que a internet oferece às relações e à comunicação, é algo, além disso.
Já ouviram falar de “Cyberbulling”? Então, com esses avanços da tecnologia o Cyberbullinng se tornou um desdobramento do Bulling, constrangimento recorrente entre crianças ou adolecente e comum em escolas. Mas, essa prática partiu para internet, e como tudo via online, ganhou força e rápida disseminação.
E como acontece?
Da seguinte maneira, há uma infiltração em correios eletrônicos, blogs, Orkut, Msn, etc. O agressor nesse caso, muitas vezes escondido atrás de um apelido, derrama sua raiva e infelicidade enviando mensagens ofensivas a outras pessoas. Em muitos casos, ele exibe fotos comprometedoras, altera o perfil das vítimas, cava e floreia informações básicas criando situações que reforcem o ataque. O único propósito é a humilhação da vítima e isolamento daquele que é considerado mais fraco ou diferente, ou simplesmente o "alvo" da vez. E os efeitos podem ser desastrosos, indo de traumas ao suicídio.
O que fazer?!
Pois bem, ousarei algumas sugestões...
Aumente o cuidado, aprimore seu crivo sobre onde e que tipo de conteúdo tem extrapolado à necessidade de multiplicar e trocar informações, e assim, estará se fazendo VER com segurança e responsabilidade.
Até mais.

Dhiulliana Moura
CRP 01/15501

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Amor Incondicional, Amor Condicional, Amor Líquido

Queridos Leitores,

Como havia prometido, preparei para vocês dois textos sobre o tema Amor. O segundo texto que é continuação desse de hoje será  publicado em outro momento. Fique de olho para não perder o fio da meada. Acho que você vai gostar! Ah, não esqueça de deixar sua opinião, e se quiser, fique à vontade para registrar suas respostas às perguntas que estarão ao final!
Já iniciei o agendamento de psicoterapia! Entre em contato conosco através dos telefones que estão do lado direito do blog.

Com Amor!
Ranúzia

Confesso que dessa vez foi difícil construir a idéia sobre esse tema do amor. Primeiro, porque falar sobre esse assunto deveria fazer  sentido antes de tudo para mim e não ser apenas um modismo. Segundo, que amor pode ser um assunto maçante para muitos.
 Busquei entre os meus muitos sentimentos e percepções algo que ilustrasse o que seria por exemplo o Amor Líquido. E me ocorreu uma frase até hilária atribuída a  Jânio Quadros quanto ao seu gosto pela bebida: "Eu bebo porque é líquido... Se fosse sólido, comê-lo-ia!". 
Avaliei se a expressão “Amor Líquido” por si só remontaria a atitudes boas ou atitudes más, ou seria mais um aspecto da nossa humanidade. O Amor Líquido, segundo Bauman é o fenômeno atual  da fragilidade das relações humanas e o relacionamento em rede que pode ser tecido e desfeito de forma rápida e virtual.
 Já, o Amor Condicional é aquele que ama por causa de alguma qualidade no ser amado e se mantêm desde que essas qualidades sejam mantidas. As garotas dizem que amam o namorado porque ele é bonito, responsável; simpático, e outros tantos atributos.
O  amor que simplesmente  não coloca condições para sua existência é o Amor Incondicional.  Pensei, então, que o Amor Líquido poderia ficar situado em vários pontos de uma escala fictícia entre o Amor Condicional e o Amor Incondicional, os dois extremos dessa Escala de Amor. 
Proponho, então,   perguntas para reflexão:  1)O que é o Amor Líquido pra você?; 2) Em sua opinião, o amor pode adoecer alguém?; 3) Onde você se situaria na Escala do Amor a seguir: nos extremos, em transição entre pontos da escala, mais à direita ou mais à esquerda? ;4) O que você acha da letra de Monte Castelo, de Renato Russo?
http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/22490/

Escala do Amor:
/____________________________________________________/
AC    AL   AL     AL   AL   AL   AL   AL   AL   AL    AL        AI


AC – Amor Condicional
AL – Amor Líquido
AI – Amor Incondicional


Até o próximo texto! 
Ranúzia

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

No Divã, a Mágoa e o Arrependimento

Amigos,
Hoje quero compartilhar um relato que retornou às minhas lembranças como um raio.

Um dia, disse alguém, fui tão magoada e ferida que ao relembrar me dá náuseas.
“Era tanto furor, e não pude fazer nada. Era tanta força e não conseguia sair do lugar.”
“Havia tanto horror naquela situação, mas, parecia que pertencia ao recorte de minha existência.”
Confesso que no início da conversa não sabia do que estávamos falando, só depois, uma palavra me arrastou da ignorância - MÁGOA - foi como um clik.
No entanto, precisava ouvir e entender mais daquele discurso.
“Como pude sentir tudo aquilo e não fazer nada?”
“Ficar quieta?”
“Olhar quando o que eu mais queria era não ter que ver”?
“Por que não deixei tudo e fui embora?”
“Hoje vivo com essa mágoa (ou seria melhor, vivo Por essa mágoa? – interpretação). Mágoa de mim por não ter agido, atuado, interdito.”
Indaguei sobre o que sentia a respeito de quem provocou o sofrimento.
E a reposta foi singela.
“Ah! Quanto a isso não penso, só sei que se pudesse voltar no tempo, faria diferente.”

Somos capazes de viver e experienciar diversas relações. Construímos através de trocas, estamos em constante reinvenção
Porém, alguns sentimentos são capazes de arrastar o ser humano para involução, para o descompasso repetitivo e até para morte.
Morremos (lê-se, secamos) ao nos aprisionarmos à mágoa, ao ressentimento.
Quantas doenças psicossomáticas* se irrompem quando negamos nos desvencilhar de certos momentos?
Arrepender-se, retomar e recomeçar é saudável, é criativo, é vida é libertação.
Mas arrepende-se e se investir de culpa, como se isso fosse diminuir responsabilidades, pode configurar somente uma forma de justificar a inércia e manter-se em uma “zona de conforto (desconfortável).”
Sei que tudo isso pode trazer alguns questionamentos, e me desculpem os menos tolerantes, mas a idéia é essa mesma.
O que fazer com a mágoa?
Ou com o arrependimento que nos força a voltar e voltar e voltar, num sentido tal, que só faz sofrer?
Retomando o relato e o tendo como exemplo, não há A resposta que atenda a todas as queixas ou casos clínicos, cada um é singular.
Mas se me permitem, quero evocar Mário Quintana,Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos. Atos são pássaros engaiolados. Sentimentos são pássaros em vôo".
Ou seja, sentimentos são trocas, são vivências, podemos alimentá-los positivamente, e “PLIM”, se dará a revitalização do Ser.
Por outro lado, se os alimentarmos negativamente...
(deixo para você leitor o fim desse pensamento).
Por fim, em análise propomos ao sujeito, segundo Freud, relembrar, reviver e ressignificar conteúdos.

Até mais!
Dhiulliana Moura
CRP01/15501

 



















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*Doenças psicossomáticas, mal que acomete o corpo, mas que a causa está ligada ao emocional, psicológico.