quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Amor Incondicional, Amor Condicional, Amor Líquido

Queridos Leitores,

Como havia prometido, preparei para vocês dois textos sobre o tema Amor. O segundo texto que é continuação desse de hoje será  publicado em outro momento. Fique de olho para não perder o fio da meada. Acho que você vai gostar! Ah, não esqueça de deixar sua opinião, e se quiser, fique à vontade para registrar suas respostas às perguntas que estarão ao final!
Já iniciei o agendamento de psicoterapia! Entre em contato conosco através dos telefones que estão do lado direito do blog.

Com Amor!
Ranúzia

Confesso que dessa vez foi difícil construir a idéia sobre esse tema do amor. Primeiro, porque falar sobre esse assunto deveria fazer  sentido antes de tudo para mim e não ser apenas um modismo. Segundo, que amor pode ser um assunto maçante para muitos.
 Busquei entre os meus muitos sentimentos e percepções algo que ilustrasse o que seria por exemplo o Amor Líquido. E me ocorreu uma frase até hilária atribuída a  Jânio Quadros quanto ao seu gosto pela bebida: "Eu bebo porque é líquido... Se fosse sólido, comê-lo-ia!". 
Avaliei se a expressão “Amor Líquido” por si só remontaria a atitudes boas ou atitudes más, ou seria mais um aspecto da nossa humanidade. O Amor Líquido, segundo Bauman é o fenômeno atual  da fragilidade das relações humanas e o relacionamento em rede que pode ser tecido e desfeito de forma rápida e virtual.
 Já, o Amor Condicional é aquele que ama por causa de alguma qualidade no ser amado e se mantêm desde que essas qualidades sejam mantidas. As garotas dizem que amam o namorado porque ele é bonito, responsável; simpático, e outros tantos atributos.
O  amor que simplesmente  não coloca condições para sua existência é o Amor Incondicional.  Pensei, então, que o Amor Líquido poderia ficar situado em vários pontos de uma escala fictícia entre o Amor Condicional e o Amor Incondicional, os dois extremos dessa Escala de Amor. 
Proponho, então,   perguntas para reflexão:  1)O que é o Amor Líquido pra você?; 2) Em sua opinião, o amor pode adoecer alguém?; 3) Onde você se situaria na Escala do Amor a seguir: nos extremos, em transição entre pontos da escala, mais à direita ou mais à esquerda? ;4) O que você acha da letra de Monte Castelo, de Renato Russo?
http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/22490/

Escala do Amor:
/____________________________________________________/
AC    AL   AL     AL   AL   AL   AL   AL   AL   AL    AL        AI


AC – Amor Condicional
AL – Amor Líquido
AI – Amor Incondicional


Até o próximo texto! 
Ranúzia

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

No Divã, a Mágoa e o Arrependimento

Amigos,
Hoje quero compartilhar um relato que retornou às minhas lembranças como um raio.

Um dia, disse alguém, fui tão magoada e ferida que ao relembrar me dá náuseas.
“Era tanto furor, e não pude fazer nada. Era tanta força e não conseguia sair do lugar.”
“Havia tanto horror naquela situação, mas, parecia que pertencia ao recorte de minha existência.”
Confesso que no início da conversa não sabia do que estávamos falando, só depois, uma palavra me arrastou da ignorância - MÁGOA - foi como um clik.
No entanto, precisava ouvir e entender mais daquele discurso.
“Como pude sentir tudo aquilo e não fazer nada?”
“Ficar quieta?”
“Olhar quando o que eu mais queria era não ter que ver”?
“Por que não deixei tudo e fui embora?”
“Hoje vivo com essa mágoa (ou seria melhor, vivo Por essa mágoa? – interpretação). Mágoa de mim por não ter agido, atuado, interdito.”
Indaguei sobre o que sentia a respeito de quem provocou o sofrimento.
E a reposta foi singela.
“Ah! Quanto a isso não penso, só sei que se pudesse voltar no tempo, faria diferente.”

Somos capazes de viver e experienciar diversas relações. Construímos através de trocas, estamos em constante reinvenção
Porém, alguns sentimentos são capazes de arrastar o ser humano para involução, para o descompasso repetitivo e até para morte.
Morremos (lê-se, secamos) ao nos aprisionarmos à mágoa, ao ressentimento.
Quantas doenças psicossomáticas* se irrompem quando negamos nos desvencilhar de certos momentos?
Arrepender-se, retomar e recomeçar é saudável, é criativo, é vida é libertação.
Mas arrepende-se e se investir de culpa, como se isso fosse diminuir responsabilidades, pode configurar somente uma forma de justificar a inércia e manter-se em uma “zona de conforto (desconfortável).”
Sei que tudo isso pode trazer alguns questionamentos, e me desculpem os menos tolerantes, mas a idéia é essa mesma.
O que fazer com a mágoa?
Ou com o arrependimento que nos força a voltar e voltar e voltar, num sentido tal, que só faz sofrer?
Retomando o relato e o tendo como exemplo, não há A resposta que atenda a todas as queixas ou casos clínicos, cada um é singular.
Mas se me permitem, quero evocar Mário Quintana,Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos. Atos são pássaros engaiolados. Sentimentos são pássaros em vôo".
Ou seja, sentimentos são trocas, são vivências, podemos alimentá-los positivamente, e “PLIM”, se dará a revitalização do Ser.
Por outro lado, se os alimentarmos negativamente...
(deixo para você leitor o fim desse pensamento).
Por fim, em análise propomos ao sujeito, segundo Freud, relembrar, reviver e ressignificar conteúdos.

Até mais!
Dhiulliana Moura
CRP01/15501

 



















_____________
*Doenças psicossomáticas, mal que acomete o corpo, mas que a causa está ligada ao emocional, psicológico.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Por que temos tantos desejos?

Amigos leitores,
O último texto de Ranúzia me deixou uma inquietação.
Paremos e pensemos juntos. Há algo ou alguém no mundo que nos responda integralmente?
Ou mesmo, este algo(s) ou alguém(s) de fato deve responder?
Possuímos vários pares de sapato, acessórios diversos, o melhor som de carro, iPod, iPad, enfim, temos um tanto de tudo. Mas então, por que ao passarmos em frente a uma loja paralisamos, desejamos e na maioria das vezes compramos um item praticamente igual àquele já possuído e (DES)necessário?
E não sei você leitor(a), mas,  de acordo com relatos, na maioria das vezes, ao adquirir esses bens, reina a felicidade, a alegria, a sensação de bem-star, porém, passageiros, rápidos como pólvora.
Pronto, uma vez instalada a formiguinha da inquietação, não sosseguei até encontrar algo que possibilitasse uma reflexão.
Segundo a psicanálise, o ser humano é insatisfeito por natureza e por quê?
Por que não há nada no mundo que consiga responder integralmente ao que se deseja.
Há sempre uma diferença entre querer e desejar, querer responde a uma necessidade, é algo que todo mundo compreende. Quero água, quero dormir, quero comer, ou seja, preciso para meu equilíbrio físico-global. E quanto ao desejo, este é algo particular, singular, cada um tem o seu(s).
Por fim, uma “luz” me surgiu, desejar pode ser a base da criação ou a base do sofrimento. Da criação ao pensarmos em movimento, em produção.
Mas e o sofrimento? Este pode vir da frustração, do apego, do querer reinventar compulsivamente a sensação do breve (ops! pólvora) momento de felicidade e bem-estar.
Será que a depressão, pandemia de nossa atualidade, tem algo a ver com essa dinâmica?

Dhiulliana Moura
CRP 01/15501

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Vamos brincar?


Brincar é coisa séria! Assim acreditam diversos estudiosos da psicologia infantil. Melanie Klein, uma psicanalista austríaca que desenvolveu seu trabalho no início do século XX com crianças, foi uma das primeiras profissionais a realizar importantes descobertas acerca do funcionamento mental dos pequenos.
A experiência clínica de Klein revelou que a vida mental e emocional das crianças pequenas não é facilmente observada através dos arranjos de palavras e frases, como acontece com os adultos. Ou seja, os pequenos não têm ainda maturidade e nem manejo suficiente da linguagem para falar sobre seus medos ou vontades. É no mundo interior das crianças que estes receios e anseios têm lugar e é justamente por isso que o “brincar” se torna tão importante para o desenvolvimento infantil. Brincar é a maneira que os pequerruchos têm de organizar seu próprio universo, entender o mundo e apreender como as coisas acontecem dentro e fora de si.
Mas, você já percebeu como o “brincar” está cada vez mais difícil de ser ver nos dias de hoje? Desde cedo é preciso que os meninos e meninas estejam preparados para as exigências do mundo moderno: fazer um esporte, aprender informática, dar os primeiros arranhões no inglês ou espanhol. Tudo isso é também importante, mas brincar tem sido relegado a segundo plano.
Acredito que os pais devam pensar sobre esta questão e (re)aprender a brincar com seus filhos. Muitos papais e mamães dizem não ter tempo bastante para entreter-se com as crianças e podem até achar que se sujar com tinta guache, brincar de boneca ou montar um quebra-cabeça seja muito inadequado para um adulto. Mas acabam não se dando conta de que estas são atividades de extrema importância para uma criança e que a presença de um adulto nestes jogos torna-se elemento essencial para seu desenvolvimento social, psicológico e afetivo, além de ser extremamente saudável para a formação da personalidade da criança. E mais! Brincar com os pequenos também pode ser muito bom para os adultos: estimula a criatividade, alivia o estresse e reduz a ansiedade.

Então, vamos brincar?












 
Samantha Rodrigues

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Freud, Carl Rogers e o Zeitgeist

Queridos leitores e amigos, deixem sempre algum comentário para saber em que podemos melhorar!



 Gente, psicólogo, filósofo, antropólogo, historiador, sociólogo e teólogo amam fazer uma reflexão sobre o que vêm, ouvem e sentem. Pois é, e não podia ser diferente. Nos dias passados na América do Norte, ficamos a pensar que bicho estranho morde a cada um de nós, e me desculpem as exceções, que nos faz querer descontrolodamente ir aos parques da Disney, comprar varinha do Harry Potter, assistir quase que extasiados ao repetido desfile do Magic Kingdom, ir aos outlets, consumir e consumir de tudo que vem da China, Indonésia, Malásia. Explicaram-me que as grandes marcas dão a receita das confecções, sapatos, bolsas e acessórios, mas a mão de obra é...”escrava”. Psiu! Cuidado! Não digam que fui eu quem falou isso.

Essa reflexão não é nova, tem gente que já pensou, já falou e disse sobre tudo isso e mais um pouco. Freud, entre muitas outras coisas, disse que vivemos movidos pelo princípio do prazer e Carl Rogers disse que queremos sempre nos atualizar. Mas alguém perguntaria que tipo de prazer e  tendência ao desenvolvimento que leva  a desejarmos coisas em excesso e  tão efêmeras (ou não)?

Enquanto estávamos numa praça de alimentação, que poderia ser em qualquer shopping  do mundo, observávamos a nossa “alteridade” ou humanidade – adultos e crianças; pais e filhos -  fazendo escândalo porque “queria e queria” comprar determinados brinquedos, eletrônicos, perfumes ou roupas nas lojas de marcas famosas. E nos surpreendemos com a desculpa da “oportunidade” para comprarmos mais e mais bugigangas, apesar de alguns de nós termos nos programado para não comprar! Esquecíamos consciente ou inconscientemente que determinados produtos sairiam mais caros do que se fossem comprados no Brasil, por causa das taxas, excesso de cota, passagem de avião, hospedagem.

 Zeitgeist é um termo alemão e significa espírito da época ou espírito do tempo e até sinal dos tempos. Dito de outra forma, seria o clima intelectual mais o clima cultural  do mundo, numa determinada época. Uma dica: se quiser saber mais sobre o assunto, você pode pesquisar o termo no google.

Bem, feitos os devidos esclarecimentos sobre o termo, a questão é que o zeitgeist de nossa época - consumo desenfreado e globalização - têm criado um novo perfil psicológico que reflete nos relacionamentos um tipo de amor chamado de “amor líquido”, expressão do Zygmunt Bauman.

Esse será um dos nossos próximos temas. Aguarde!


Fique com uma foto da fila para adquirir a varinha do Harry Potter! Nada contra os aficionados por Harry Potter. Eu também tenho as minhas fixações e apreciações!


Ranúzia

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A FALTA necessária!

Amigos,
Quem nunca viu alguém tão preso a corresponder aos desejos de pai, mãe, tio ou educador, ou seja, o grande Outro? Segundo Lacan.
Quem nunca viu um homem “feito” ou mulher “madura” as volta para casa da mamãzinha ou qualquer outro “inha”(o), ao se deparar com um casual problema?
Calma aos inquietos que começam a achar que estou nomeando ruins essas relações, na verdade, a questão escapa ao conceito de boa ou ruim.
O que evoco aqui é um dos conceitos freudianos mais antigos, porém atual, Complexo de Édipo. E o que isso tem a ver? Tem tudo a ver.
É a partir das relações primárias que o sujeito se constitui. Em uma de minhas observações recentes pude perceber um homem que busca incessantemente a mãe em todas as mulheres que se relaciona, e pasmem, essa fala é recorte de um de seus discursos. Em outra observação percebi o quão é difícil lidar com a falicidade, a incompletude, o sujeito tampona toda FALTA, própria da constituição humana, com coisas, pessoas, poder, tudo isso, com o intuito de não sofrer. Como se isso fosse possível.
E então, cadê o tal complexo de Édipo? Pois é, ao buscar ser e oferecer tudo para o filho (simbiose), a mãe, ou função materna, bloqueia a entrada de um terceiro, ou seja, o social, a lei, o limite, a incompletude, a ausência, o desejo por outros que são externos ao contexto familiar.
E aí? Dar-se a sensação que se é tudo, que não se precisa de ninguém, que todos os "alguéns" são objetos (lê-se coisas), a serem usufruídos. E quanto à subjetividade e particularidade dos demais? Mas, o que é isso?! São questões que escapam às vivencias dos seres SUPER de nossa sociedade contemporânea.
O que fazer quando acontece o óbvio? Afinal, a vida é um mix de idas e vindas. Alguns voltam ao “seio” no intuito de completar, de ter o que é seu por direito, ou melhor, a felicidade e satisfação plena. Outros usam defesas e se apropriam de tampões, o importante é estar por cima sempre, sabem a estória do SUPER? Mas, ainda existem aqueles que vão e voltam e não saem do lugar, às vezes se desmoronam, contudo, continuam fixados na crença de que são os melhores, devem acertar sempre, sabem de tudo, os famosos filhos da perfeição. Como tais, correspondem aos que disseram laaaá atrás, “você é especial, você é tudo, ninguém é melhor que você, a vida lhe dará tudo o que quiser, estarei aqui sempre para ajudar”.
Porém, a vida segue seu curso natural, indo e vindo para todos, incondicionalmente.
Provavelmente na constituição de um SUPER, poucos “nãos” foram ditos! A família, na fantasia de adivinhar e realizar desejos, como se isso fosse a missão mais importante de ser mãe e pai, favoreceu uma constituição centrada no eu, pouca intersubjetividade. Enfim, basta olhar para o lado, nas telenovelas, no trabalho, em casa, são muitos exemplos de tal constituição.
Portanto, vale ressaltar: O pior é quando a FALTA, falta. E de acordo com o dito popular: “Não dá para ter tudo”. E não dá mesmo!

Dhiulliana Moura

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

2010 – Ser e Não Ser!

Amigos leitores do Compor Psicologia,

 
             Mais uma vez chegamos ao final de um ano e mais uma vez parece ser interessante uma avaliação sobre a vida, a nossa vida. Algumas vezes, ao mesmo tempo e em tempos diferentes, a vida se nos apresenta efêmera e eterna, triste e alegre, fértil e estéril, longa e curta, importante e insignificante; entediante e empolgante; verdadeira e mentirosa, saudável e doente; quieta e inquietante; iluminada e escurecida; planejada e desorganizada. Tudo isso junto e misturado, às vezes a vida confusa e explicada; por vezes plena de sentido e totalmente sem nexo; sofisticada e simples; amedrontada e ousada; terna e ríspida; elevada e chula.
 A visão de complementaridade da vida nos ajuda a ver muito dos matizes e formas do quadro da existência com figura e fundo em sintonia. Percebendo a vida nessa perspectiva dialética somos preservados de cair em um jogo perigoso e visões dissociadas, por exemplo, de que pessoas psicologicamente saudáveis e equilibradas são invulneráveis e invencíveis, e têm sempre idéias, projetos maravilhosos e muita gente bonita, feliz e elegante à sua volta. Por outro lado, e também de forma dissociada uma visão de que a redenção da vida somente se dá por meio do sofrimento. 
Para nós,  psicólogos do Compor Psicologias foi de tudo isso um pouco, e mais um pouco, ao mesmo tempo e em tempos diferentes. Especialmente, para mim, 2010 foi ano de despedida do meu pai que foi embora em abril, deixando muito sentimento e emoção em forma de poesias, abrindo novas percepções em mim. Hoje, quero compartilhar uma dessas poesias com vocês:
“Se estou sozinho/ me tenho com isso/ que em mim se paira o teu sumisso,/ essa mania de solidão./ Ser ou não ser,/ eis a questão. / Ser, não ser dúvida, contradição.../ Sem de mim ser, /  ou ser de ti./ Ou não.” Santamaro (Amaro Santos da Silva).

Que em 2011 vocês sejam pessoas mais plenas do que em 2010!

Abraços

Ranúzia